Descobertas que irão revolucionar a Medicina em 2017

Investigadores da Cleveland Clinic recolheram dados sobre as 7 inovações que irão revolucionar a Medicina em 2017, inovações a nível tecnológico e científico que nos permitirá avançar na medicina e transformar os cuidados de saúde.

O microbioma

O microbioma é composto por microorganismos presentes nos nossos intestinos que ajudam em variadas funções vitais do nosso corpo. Devido ao facto de uma doença não alterar apenas uma bactéria, mas sim um microbioma, descobertas recentes revelaram o poder do microbioma para prevenir e diagnosticar doenças. Dado que maior parte do nosso sistema imunitário está localizado no intestino, as doenças detectadas pelo microbioma são doenças auto-imunes.

Medicamentos para diabetes

Doentes diagnosticados com diabetes têm mais tendência para desenvolver doenças cardiovasculares ou AVC. Actualmente não existe medicação que ajude a prevenir estas complicações e actuem de forma eficaz no tratamento e prevenção da diabetes. Durante o ano de 2017 dois medicamentos estão a mostrar-se capazes de solucionar estas necessidades dos paciente com diabetes, o Victoza e o Jardiance.

Terapia CAR-T

Esta nova técnica é utilizada para o tratamento de leucemias e linfomas. CAR-T ou Terapia de células T é um método usado que visa modificar laboratorialmente células T do próprio paciente para que estas se unam com o sistema imunitário para combater as células cancerígenas. Apesar dos seus efeitos secundários graves como a possibilidade de aparecimento de outros tumores está terapia é extremamente eficaz no combate contra a leucemia e linfomas.

Biópsia líquida para rastreio do cancro

A biopsia líquida é capaz de identificar fragmentos de DNA de tumores na corrente sanguínea e indicar presença de marcadores cancerígenos antes mesmo destes se tornarem visíveis, aumentando assim exponencialmente a possibilidade de uma cura total. A capacidade de conseguir realizar uma detecção tão precoce é certamente o melhor avanço da medicina oncológica dos últimos anos. Tendo também uma grande interesse a nível da investigação, podendo ajudar a entender como os tumores mudam para vencer os tratamentos existentes ou ajudar a identificar os estágios iniciais da doença.

Recursos automáticos de segurança 

Apesar de estes sistemas já existirem em alguns veículos só em 2017 é que este foram propriamente desenvolvidos e capazes de funcionar de maneira eficaz e segura. Sistemas de aviso de colisão, controle de direção adaptável, assistência de faixa e alertas de tráfego são algumas das inovações para os próximos anos, com potencial para reduzir ainda mais os acidentes de carro fatais.

Cetamina no tratamento da depressão 

Em caso de depressão major um tratamento farmacológico com os anti-depressivos e estabilizadores de humor convencionais poderão não funcionar. A Cetamina conhecida por ser uma droga ilícita, mas que aplicada em contexto de forma controlada e apoiada por um profissional foi provado que trás melhorias em pacientes que depressões graves. Nos EUA, a cetamina tem sido administrada para casos graves, mesmo aqueles onde há risco de suicídio.

Visualização 3D e realidade aumentada para cirurgia

A Realidade Aumentada está cada vez mais presente no nosso dia a dia. Câmeras 3D ajudam cirurgiões e as suas equipes a terem uma visão melhor durante as suas cirurgias. A tecnologia amplia o campo de visão e permite que todos na sala de cirurgia possam ver o que está acontecer em três dimensões. Veja o video abaixo:

Big Data – O que é e para o que serve

Estamos em pleno 2017 e o termo Big Data nunca esteve tanto em voga. O interesse neste termo tem vindo a crescer ao longo do tempo, atingiu o seu pico no ano de 2016 mas mesmo em 2017 continua a ser um termo importante, especialmente para o tecido empresarial em Portugal. Ora estando nós em 2017, nunca foi tão fácil termos acesso a dados… dados de gestão, por exemplo, que chegam aos gestores das empresas todos os dias. Na imagem em baixo pode ver a tendência de crescimento do interesse pelo big data desde 2012 (ou clicando aqui).

Mas o que é Big Data?

Se formos a traduzir literalmente o termo, Big Data pode chamar-se, em Português “Grandes Dados”, “Muitos Dados”, “Muita Informação”. O Big Data é um termo que traduz grandes fluxos de informação que podem estar estruturados (organizados) ou não. Mas essa informação não tem valor, caso as organizações não as utilizem para melhorar a sua eficiência ou os seus resultados.

O objetivo da análise da Big Data é permitir aos gestores ou aos tomadores de decisão, fazer opções estratégicas organizacionais mais empíricas (baseadas em informação passada) e com mais eficiência, minimizando o risco. Essa informação pode ser recolhida de forma tradicional ou digital, mas o mais importante não é a quantidade de informação, mas sim sempre o que se faz com a mesma.

Big Data Estruturada e Desorganizada

A big data desorganizada é rica em texto e informações diversas, a sua organização é mais complicada para as bases de dados e a sua interpretação é difícil. Por exemplo: os comentários de uma página de Facebook são informação valiosa para um gestor, mas a sua organização e interpretação é difícil – esta é a big data desorganizada.

A big data estruturada diz respeito a um tipo de informação variada que pode ser derivada de interações entre pessoas e máquinas, que, como o nome indica, já se encontra estruturada em bases de dados. Por exemplo, hoje em dia, ao navegar num website, provavelmente os seus dados e o seu comportamento estão a ser registados numa base de dados. Essa informação é estruturada e combinada com a informação de muitos outros utilizadores em vários formatos, prontos para serem interpretados.

Quem mais beneficia do Big Data?

Como expliquei anteriormente, a organização da informação permite aos tomadores de decisão tomar decisões mais corretas e com risco reduzido. O principal objetivo é maximizar as receitas das organizações, combinando informações diversas de diferentes canais. Mas não só as organizações beneficiam do Big Data: o consumidor vê a sua experiência com as organizações melhorada também, porque é na satisfação do consumidor e na criação de valor para o mesmo que os decisores agregam valor às suas organizações, maximizando o lucro.

Pequena conclusão…

O Big Data é um termo complexo. No mundo da informação que vivemos hoje, onde cada vez mais a informação é poder, as organizações, sejam elas pequenas, médias ou grande necessitam de canalizar a informação recolhida nas suas ações para bases de dados. Mais importante que isso é analisar essa informação e tomar as decisões corretas… Num tema futuro abordarei o “data driven marketing” e como o big data cada vez mais influencia o marketing de todos os dias.

Realidade Aumentada Melhora Capacidades Visuais?

A realidade aumentada (ou também a RA) é a percepção visual directa e indirecta do mundo fisico aumentada por computadores que gerem e recriam características dos mundo real, transformando-o assim um mundo virtual.

Esta tecnologia era conhecida por ser utilizada principalmente em jogos de computador, aplicações e em algumas profissões especificas onde se torna uma ferramenta essencial. No entanto, a realidade aumenta está neste momento a tentar ser aplicada para melhorar as capacidades visuais de pessoas com deficiências ligeiras.

A Epson é a primeira empresa que se dedicou ao estudo e à aplicação desta tecnologia, com a criação do Sistema Retiplus associado aos smartglasses Moverio. O Retiplus é um software instalado num tablet que será utilizado por um profissional de oftalmologia para calibrar a nitidez e posicionar uma imagem para colmatar as deficiências do paciente. De seguida os smartaglasses são configurados segundo a necessidades do paciente permitindo assim um melhoramento da visão e auxilio nas actividades do quotidiano: ver televisão ou ler um livro são tarefas muito mais simplificadas e menos custosas.

Mas afinal… o que são smartglasses?

Smartglasses são um avanço tecnológico (à semelhança da smartTV, smartwatch, entre outros) que consistem em óculos computadorizados e que adicionam informação ou manipulam a visão do seu portador. As suas aplicações estão cada vez mais a ser estudadas, mas é no campo da saúde ocular que os smartglasses prometem mudar vidas.

O sistema Retiplus

O Sistema Retiplus tem por defeito funcionalidades standard, como exercícios de reabilitação. Os smartglasses incluem diversas funções como redução de ruído visual ou zoom, funções estas que podem ser activadas por comando de voz para comodidade do seu portador. A plataforma Cloud associada funciona também como uma base de dados de padrões e tendências de saúde Ocular.

A Saúde Ocular sofre uma grande avanço com a aplicação deste sistema de inovação tecnológica neste sector. A prova disso mesmo são os resultados alcançados com os smartglasses que, com o seu sistema inovador, conseguem revolucionar a saúde ocular e proporcionar melhor qualidade de vida aos seus utilizadores. Este sistema já é utilizado em Espanha e Estados Unidos da América por algumas Clinicas Oftalmológicas. Infelizmente Portugal ainda terá de esperar, sem data prevista de lançamento de serviços desta tecnologia…

Inteligência Artificial: Já é possível prever o suicídio?

Segundo a Sociedade Portuguesa de Suicidiologia, em 2011 existiram cerca de 9,6 suicídios por cada 100.000 habitantes em Portugal. Números preocupantes, face ao crescimento desta taxa desde 1996 (onde rondava cerca de 2 suicídios a cada 100.000 habitantes). A prevenção do suicídio é fundamental e é uma temática em constante debate em simpósios e eventos.

Prevenção do suicídio com inteligência artificial

Quando ocorre o suicídio, existe uma pergunta que perdura na família e nos amigos: “o que poderia eu ter feito?”. Os investigadores querem antecipar essa pergunta para no futuro ser possível perguntar “o que eu posso fazer?” em tempo útil, recorrendo à Inteligência Artificial.

Foi com base nestas premissas que, Colin Walsh, investigador da Vanderbilt University Medical Center, e os seus colegas criaram algoritmos de aprendizagem mecânica, com uma impressionante eficácia, que prevê a probabilidade de um indivíduo se suicidar. Os resultados têm uma taxa de acerto a rondar os 80~90%, no que diz respeito à previsão de pessoas com intenção de suicídio numa janela temporal de dois anos. Números impressionantes.

Fonte de dados para a previsão do suicídio

Os dados utilizados pelo algoritmo são variados e provêm das admissões hospitalares. Dados como a idade, sexo, plano terapêuticos, exames realizados previamente, códigos postais, entre outros, foram utilizados para realizar os testes, provenientes de mais de 5.000 pacientes da Vanderbilt University Medical Center que teriam sido anteriormente admitidos com feridas auto-infligidas ou ideias de suicídio.

Este conjunto de casos clínicos foram utilizados para alimentar a “máquina”, para que esta pudesse identificar os pacientes mais propensos a perpetuar o suicídio. Os investigadores desenvolveram também algoritmos para prever o suicídio num grupo de pacientes superior a 12.000, selecionados aleatoriamente, sem histórico de doenças mentais ou tentativas de suicídios – a “máquina” provou ser mais exata na previsão do risco de suicídio nesta amostra maior de pacientes.

Estudos em fases iniciais

Este estudo de Colin está ainda numa fase inicial. O seu artigo científico publicado em Maio representa apenas um primeiro estágio do seu trabalho. Está, neste momento, com a sua equipa de investigadores, a determinar se o seu algoritmo se provará eficaz com dados totalmente diferentes de outro hospital. O investigador ambiciona ter um ambiente de teste a intervir em casos reais em apenas dois anos.

“É um conjunto de fatores de risco que nos dizem as respostas” diz Colin, quando confrontado com a complexidade da mente humana e abordado pelos cépticos que mostram dificuldade em entender como funcionam estas previsões. É a combinação de fatores de risco que potenciam os algoritmos, um fator de risco apenas não é suficiente para determinar os riscos. Colin chega a dar um exemplo prático: a ingestão de meletonina não está associada ao suicídio, mas está associada aos maus padrões de sono – os padrões de sono erráticos, por si, já podem ser associados a um risco de suicídio – é por isto mesmo que é necessário estudar a multiplicidade dos fatores de risco envolvidos para aumentar a certeza dos resultados.

Problemas éticos associados

As tecnologias de informação que intervêm na medicina podem trazer problemas éticos acarretados. “Existe sempre um risco de consequências imprevistas”, diz Colin. “Temos as melhores intenções e construímos este sistema a pensar nas pessoas, mas podem existir problemas associados no decorrer da investigação”.

Surgem questões éticas particulares nesta abordagem à medicina: terá o clínico de mudar a sua abordagem clínica e acarretar ordens de “uma máquina”? Uma pergunta cuja resposta nos espera no futuro. Para já, podemos contar com os esforços de Colin e da sua equipa na deteção do risco do suicídio, um gigante passo para a saúde pública internacional.

Poderá aceder ao artigo de Colin Walsh aqui.

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