Saúde

Maus padrões de sono e a sua relação com o suicídio

Todos nós conhecemos a importância do sono na saúde. A regularização dos padrões de sono é fundamental para um bem estar físico e psicológico, por diversos motivos. Um bom sono é considerado um sono reparador e deve durar não menos de 7 horas e não mais de 9 horas por dia.

Com a evolução das tecnologias nas gerações, cada vez mais os padrões de sono vão estando pouco regulados. Se antigamente os adolescentes passavam uma noite em branco por semana, atualmente, é muito maior essa percentagem. Esses hábitos podem enraizar-se em toda uma geração e, assim, nascem novos problemas geracionais: mais ansiedade, depressão, entre outras patologias. Não há como mentir: a tendência de ficar acordado até mais tarde, devido ao aparecimento de tecnologias que perturbam o sono (televisão, computador, internet), está para ficar.

Conhece algum adolescente que não tenha, até ao momento, passado umas férias com horários desregrados para jogar computador durante a noite?

O suicídio e o sono

O suicídio tem diversos fatores inerentes – as tendências suicidas são uma patologia psiquiátrica que deve ser encarada como muito grave – e pode ter origens dos mais diversos fatores de risco. Um deles, é a falta de padrões de sono, segundo estudos da investigadora Rebecca Bernert num recente estudo publicado este dia 28 de Junho.

Segundo a investigadora:

As perturbações do sono e a ideação do suicídio são ambos sintomas da depressão, sendo crítico avaliar estes fatores isolados para prever o risco.

O estudo inclui 50 universitários com idades entre os 18 e os 23 anos, com historiais psiquiátricos de tentativa de suicídio, sendo o sono desta população monitorizado durante uma semana. Os problemas de sono revelaram ser um grande fator de risco para as tendências suicidas da população estudada. Mesmo com avaliação de outros fatores de risco (drogas, alcool, depressão crónica, etc) o sono destacou-se como sendo um dos fatores de risco críticos.

O resultado? Os investigadores vão experimentar o tratamento da tendência suicida com base em tratamentos de insónias.

O suicídio é a segunda principal causa de morte nos jovens adultos nos EUA

 

O calor excessivo poderá colocar em risco vida de 48~74% da população em 2100

Neste preciso momento, cerca de 30% da população mundial, está exposta a temperaturas “mortais”, pelo menos 20 dias por ano. Em 2100, esse número pode ir até aos 74% caso as emissões gasosas que contribuem para o aquecimento global continuarem ou, no melhor dos cenários, caso se reduzam essas emissões significativamente, pode ir até aos 48%.

De acordo com um estudo por Iain Caldwell, entrevistado pela Research Gate, a maioria das mortes relacionadas com as temperaturas estão relacionadas com períodos de elevado calor e elevada humidade – condições estas que se poderão tornar muito mais comuns no futuro.

calor mortal

Mas o que torna a temperatura elevado tão mortal?

Ainda de acordo com Iain Caldwell, a temperatura (e humidade) elevadas tornam-se mortais quando o corpo produz mais calor do que poderá libertar. É principalmente através do suor que baixamos a nossa temperatura corporal  e, com as temperaturas exterior mais elevadas e a humidade a níveis elevados também, torna-se mais difícil para o corpo suar e libertar calor, aumentando a sua temperatura. O calor excessivo pode levar ao mau desempenho de determinados orgãos do corpo humano e, eventualmente, à morte.

As pessoas mais em risco são os idosos e as pessoas mais predispostas a ter problemas nos mesmos orgãos que o excesso de calor afeta.

Que países serão mais afetados?

Apesar dos modelos estudados ainda serem muito conceptuais, estima-se que os países mais afetados são os que se situam nos trópicos. Infelizmente, são também estes países que têm menos qualidade de vida ou rendimento per capita, o que poderá significar que a população poderá ter um acesso mais dificultado aos hospitais, infraestruturas mal preparadas para estas ocasiões e, também, uma menor capacidade financeira de recorrer a equipamentos de refrigeração.

Nestes casos, a prevenção passa apenas por manter as pessoas dentro de casa em locais o mais fresco possível.

Como poderemos evitar?

Como indivíduos temos muito pouco poder nas nossas mãos para evitar esta evolução. As principais alterações terão de ser feito a nível governamental, assim que assumirem que o aquecimento global poderá ter causas devastadoras no futuro da humanidade.

Pessoalmente, podemos tentar começar por reduzir a nossa pegada de carbono. É um princípio básico e que à partida se pode mostrar insuficiente, mas que se passar por muita gente no mundo, a sua diferença pode ser impactante.

Podemos ser geneticamente predispostos a constipações?

Cientistas do NIAID descobrem suscetibilidade genética rara para a constipação – um caso incomum gera uma visão sobre a principal causa de doenças agudas no mundo

Foi identificada uma mutação genética rara que resulta numa suscetibilidade aumentada à infeção por rinovírus humano (VFC) – principal causa da constipação. Estes contribuem para mais de 18 mil milhões de infeções respiratórias em todo o mundo, a cada ano, de acordo com o estudo Global Burden of Disease.

genetica e constipaçoes

O instituto Nacional de Alergia e Doenças Infeciosas (NIAID), dos institutos Nacionais de Saúde, encontraram esta mutação numa criança com historial de infeções graves. O caso foi publicado no Journal of Experimental Medicine, revelando um mecanismo muito importante, segundo os autores, do sistema imunológico na resposta a estes vírus.

A criança que levou ao estudo…

Várias semanas após o nascimento, a criança começou a evidenciar infeções respiratórias graves, ameaçando a sua vida, inclusive constipações, gripes e pneumonias bacterianas. Foram então realizadas analises genéticas, uma vez que os médicos suspeitavam da existência de uma deficiência imunológica primária, uma anormalidade genética que afeta o sistema imunológico.

Esta analise demonstrou que possuía uma mutação no gene IFIH1 que fazia com que fossem produzidas proteínas MDA5 disfuncionais nas células do aparelho respiratório. Outrora, os cientistas descobriram que os ratos de laboratório que apresentavam MDA disfuncional não podiam detetar material genético de diversos vírus, o que os torna incapazes de lançar respostas imunes apropriadas. Os pesquisadores do NIH descobriram que o MDA5 mutante presente nos tecidos respiratórios da criança não reconhecia HRVs, impedindo assim o sistema imunológico de produzir interferões. Na criança foram encontrados, HRV replicados no trato respiratório, causando doenças graves, levando a conclusão que o MDA5 funcional é fundamental para proteger as pessoas contra a VFC.

A criança sobreviveu a inúmeras crises de doença grave, com cuidados intensivos, e a sua saúde melhorou através do amadurecimento do seu sistema imunológico, formando anticorpos protetores contra agentes infeciosos.

Conclusões do estudo

Os pesquisadores analisaram um banco de dados de mais de 60000 genomas de voluntários, para verificar se outras pessoas também possuem problemas de saúde relacionadas com o gene IFIH1. Embora seja uma condição rara, foram encontradas varias variações no IFIH1 que poderiam tornar o MDA5 menos eficaz. No entanto, a maioria das pessoas com estas variações teve uma expetativa de vida normal e com filhos saudáveis, levantando hipóteses quanto à compensação por parte de outros fatores genéticos, ou que as pessoas possuíram infeções por VFC mas não as relataram. É estimado que o adulto saudável tem cerca de 2 a 3 constipações por ano, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, variando o intervalo com base no estilo de vida e meio ambiente. Os vírus podem causar complicações graves em pessoas com asma grave, doença pulmonar obstrutiva crónica e outros problemas de saúde. Contudo não há antivirais para HRVs, daí os pacientes receberem cuidados de suporte e serem aconselhados para evitar a exposição, tal como a criança do estudo. Pode ver todas as referências e informações complementares no site do National Institutes of Health.

Opióides sem efeitos aditivos

Cientistas descobriram uma nova droga que vai dominar o mercado dos analgésicos opióides. Esta nova droga consegue eliminar a dor sem causar problemas de adição como as drogas tradicionais conhecidas a morfina ou codeína.

Este opiáceos tradicionais são utilizados na medicina há muitos anos, o seu número de utilizadores é enorme e mesmo apesar dos seus efeitos secundários graves sendo reconhecidos continuam a ser a melhor resposta que a medicina consegue oferecer no que toca ao tratamento da dor.

A adição resultante da utilização de drogas ilegais como a heroína, cocaína já é conhecida há muitos anos e já existem técnicas inovadoras de tratamento, mas quando falamos de drogas legais como medicamentos opiáceos não existem alternativas ao seu uso. Em certos países o uso de opiáceos torna-se mesmo um problema social de grande escala, chegando mesmo a ser necessária uma política ativa no controlo destas substancias.

Nos EUA o problema do abuso de drogas médicas (as conhecidas “prescription drugs“), tem crescido drasticamente, com cada vez mais pessoas viciadas nestas drogas. Todos os anos é registado um aumento do número de mortes relacionadas com estas drogas legais, apesar de um controlo restrito tanto na venda como na posse destas substâncias.

Opiáceos que não causam dependência

Com a nova droga descoberta isto deverá deixar de existir, o tratamento da dor poderá ser eficaz sem efeitos secundários desta natureza.

Porque que é os opiáceos são aditivos?

Os opiáceos têm como função diminuir os sinais de dor que são enviados para o cérebro ao interferirem com os recetores de sinais de dor, também conhecidos com recetor de opiáceos. A adição é o resultado dessa interferência porque os recetores dos sinais de dor também têm funções reguladoras dos impulsos emocionais como o desejo e a euforia.

A nova droga tem um risco significativamente baixo de adição porque faz ligações com outro tipo de recetores – mais tecnicamente os nociceptin-orphanin e peptide receptor.

O que dizem os estudos

Para já a droga esta a ser testada em macacos com resultados bastantes promissores. São utilizados macacos porque estes têm a mesma resposta fisiológica às drogas que os humanos. A droga não mostrou qualquer tipo de efeito secundário, os macacos não mostraram qualquer tipo de comportamento aditivo nem mesmo com doses superiores às necessárias para o tratamento da dor. Resultados incríveis para este avanço na medicina.

O próximo passo será o teste em humanos, o procedimento mais difícil em qualquer tipo de estudo farmacológico. Uma das dificuldades encontradas pelos investigadores será otimizar o efeito terapêutico desta droga para a forma de comprimido.

Vacina para a reabilitação da Heroína estará próxima

A heroína é uma da droga mais usada nos últimos anos no mundo inteiro e Portugal não é exceção. Felizmente, atualmente é uma droga quase obsoleta em Portugal registando-se um numero muito baixo de consumidores. O número de consumidores novos nunca foi tão baixo, a base de consumidores de Heroína em Portugal é constituída por antigos consumidores entre os 40 a 50 anos que mantiveram a sua adição ao longo dos anos, sem capacidade de se reabilitarem.

O ponto mais alto do consumo de heroína foi nos anos 70 e 80, tendo baixando desde então tendo sido substituída nos anos 90 por outro derivado do ópio a cocaína.

Cura para a Heroína próxima?

Como funciona a heroína

A heroína atua no sistema nervoso central com a ativação dos recetores de opiáceos no cérebro causando uma ativação anormal (ativação provocada por bioquímicos) das vias dopaminérgicas, vias estas que estão relacionadas com o sistema límbico e o córtex cerebral que são as estruturas cerebrais principais responsáveis pela produção de prazer.

Perigos do uso de Heroína

A heroína é uma das drogas com mais mortes associadas ao longo dos anos devido aos seus efeitos no corpo humano. Quando a heroína entra no corpo provoca um relaxamento excessivo, podendo levar a paragem respiratória. Os consumidores encontram-se no estado de euforia total que associado a uma paragem respiratória podem levar o consumidor a sufocar até à morte. Entre 2010 e 2015 registaram-se perto de 13,000 mortes associadas ao consumo de heroína nos EUA.

O uso destas drogas traz problemas a nível social e cognitivo com perda de capacidades básicas ao longo do tempo e exclusão social muitas das vezes associada a criminalidade.

Vacina contra o vício

Esta vacina foi criada e construída em laboratório para ser semelhante na sua composição às moléculas da heroína.  A nova vacina tem como objetivo alertar, treinar o sistema imunitários para o combate e reconhecimento da heroína como um corpo estranho. O corpo passa a atacar a heroína impedindo assim que o consumidor sinta o seu efeito de euforia que leva à adição.

Os investigadores pensam que, assim, os consumidores não irão voltar a consumir. Esta vacina pode ser um dos maiores avanços no tratamento de toxicodependentes. Atualmente não existem métodos de tratamento de consumidores de heroína, existem sim técnicas de redução de danos e de substituição de heroína por metadona.

Este pode ser o primeiro tratamento real com a finalidade da “cura completa” e a reabilitação do consumidor.

A vacina não ajuda o consumidor nos sintomas causados pela abstinência, nem pela vontade de consumir drogas. O consumo de drogas muitas das vezes está associado a muitos fatores sociais e psicológicos. Estes fatores não podem ser solucionados com a toma de uma vacina, mas com um bom acompanhamento e um consumidor que esteja decidido a deixar de consumir esta vacina pode ser a ajuda que faltava para e tornar o processo de deixar o consumo de heroína mais fácil e eficaz, e sem recaídas.

Estudos atuais e estado da ciência

Esta vacina ainda está em fase experimental, com resultados extremamente promissores. Este estudo está em desenvolvimento há 8 anos, experimentando em animais com reações fisiológicas parecidas com as dos humanos como macacos e ratos.  Em ambas as experiências a vacina resultou e anulou os efeitos da heroína. Boas notícias!

Poderá ter acesso a este estudo aqui.